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O EXERCÍCIO DO PODER NA ILHA DE SANTIAGO ENTRE 1767 E 1796

Maria Teresa Avelino Pires Cordeiro Neves
Investigadora do CHAM da UNL
mteresavelinopires@gmail.com

A análise do exercício do poder na ilha de Santiago durante os últimos trinta anos de setecentos é indissociável da figura do coronel João Freire de Andrade e da “casa” que ele representava.
A sua figura emerge na documentação em 1761. Nessa altura era capitão-mor de um forte da cidade da Ribeira Grande de Santiago mas rapidamente ascendeu na hierarquia da instituição militar e política local. Rico proprietário de terras, era designado “João Freire da Covada” devido à posse desta terra vinculada, herdada, entre outras, dos dois ramos da sua família terratenente.
A sua vida política foi inicialmente ofuscada pela figura do seu cunhado, o coronel Manuel Gonçalves de Carvalho. Foi este militar quem patrocinou a sua nomeação ao posto de coronel, no qual foi provido, confirmado em 1765 e com quem partilhou o seu primeiro governo interino de cariz camarário entre 1767 e 1769. Foi o governo de uma “casa” a dos Freire de Andrade.
O segundo governo interino (1776 a 1777) proporcionou-lhe então a oportunidade de praticar o despotismo. Apoiado numa rede de correligionários e nos membros da sua família, controlou as forças milicianas, a justiça em primeira instância e não admitiu qualquer contestação à sua autoridade. Alternou no exercício do máximo poder político local com mais três governadores, para além dos já referidos governos interinos, nos de 1781 a 1783, de 1783 a 1785 e de 1795 a 1796.
Analisar a conjuntura em que ocorreram esses governos interinos, os bloqueios locais à acção governativa dos representantes da Coroa, as relações do coronel com os governadores (colaborantes quando pactuavam com os seus intentos, conflituosas quando não os conseguia aliciar), são os objectivos da comunicação que gostaria de apresentar.

Palavras-chave

Nota biográfica
Maria Teresa Avelino Pires Cordeiro Neves
, Licenciada em História, Mestre em Relações Interculturais, Doutorada em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa, tem experiência profissional docente e de chefia no ensino básico e secundário entre 1975-2003). Actualmente é investigadora do CHAM da UNL e colaboradora do Centro de História do IICT dedica-se exclusivamente à investigação e elaboração de estudos de história das ilhas de Cabo Verde e costa da Guiné.