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OS CABO-VERDIANOS E A DEMOCRACIA: UMA ANÁLISE DAS ATITUDES E PERSPETIVAS DOS CIDADÃOS

Maria da Luz Ramos
ISCSP/CAPP
luz@iscsp.utl.pt / mluzramos@gmail.com

Quando em 1975 o arquipélago de Cabo Verde se tornou independente proliferavam as dúvidas sobre a sua capacidade de sobrevivência enquanto país. Com solos pouco férteis para a agricultura, longos períodos de seca e recursos naturais escassos a fome era o que mais atormentava a população, bem como os novos governantes que não podiam contar com a ajuda de uma administração colonial. Não obstante, todas essas fragilidades, associadas a uma incontornável insularidade, os cabo-verdianos conseguiram levar avante o projeto autonómico e transformaram as ilhas num Estado de referência e de sucesso no contexto da África subsaariana, não só do ponto de vista económico como também em termos políticos, pois a evolução da sua democracia é amiúde apontada como exemplar.
O país aderiu ao multipartidarismo em finais de 1991 e, logo no início do ano seguinte, organizou as suas eleições legislativas, presidenciais e autárquicas que levaram ao afastamento do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV)[1]  que havia governado as ilhas desde 1975. A derrota foi devidamente reconhecida sem grandes dramatismos e, desde então, os processos eleitorais têm acontecido de modo regular segundo os princípios definidos pela Constituição. Gradativamente, o arquipélago está a consolidar o sistema político instituído, sendo bastante notório nos resultados alcançados nas quatro edições do Economist Intelligent Unit Democracy Index. Em 2011 Cabo Verde surgiu mesmo como o segundo país africano mais democrático ao sul do Saara, ocupando a 26ª posição no geral e a primeira da lista dos Estados denominados de “democracia incompleta”.
Sendo a “cultura política” e a “participação política” em Cabo Verde, as categorias menos pontuadas no apuramento do referido índice, propõe-se nesta comunicação analisar a evolução das atitudes e a perspetiva dos cidadãos face à democracia no arquipélago.

Palavras-chave: Democracia, cultura política, participação política, Estado pós-colonial

Nota biográfica
Maria da Luz Ramos.
Doutoranda em Ciências Sociais, na especialidade de Sociologia. É docente no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade Técnica de Lisboa e investigadora do Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP) da mesma instituição. Tem desenvolvido pesquisa sobre a educação, altos funcionários públicos e democracia em Cabo Verde. Outros domínios de investigação: género, cultura e sociologia da música.


[1] Antes de 1979 a designação era Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Na sequência do golpe de Estado na Guiné, em 1979, os dois países deixaram de estar unidos politicamente no processo de autonomização, tendo emergido, então, a nova denominação: PAICV.