5.2

AS INVARIANTES E AS ESPECIFICIDADES DAS FUNDAÇÕES URBANAS PORTUGUESAS. PRAIA, RIBEIRA GRANDE, S. FILIPE, BISSAU, CACHEU

Manuel C. Teixeira
Universidade Técnica de Lisboa
manuelteixeira@fa.utl.pt

O urbanismo de origem portuguesa é uma das faces mais visíveis da cultura que une os países de língua portuguesa, e um dos seus principais elementos identitários, que importa conhecer, divulgar e preservar.
Os núcleos urbanos construídos no contexto da expansão ultramarina portuguesa a partir do século XV partilham um conjunto de características morfológicas idênticas, fruto das suas raízes comuns. Apesar desta identidade morfológica, em cada um dos locais onde este urbanismo se desenvolveu e construiu, ele assume características próprias, fruto dos processos específicos de troca, de miscigenação e de síntese que lhes deram origem.
Nos núcleos urbanos da Praia, da Ribeira Grande e de S. Filipe, em Cabo Verde, e de Bissau e Cacheu, na Guiné-Bissau, é possível identificar essas características invariantes do urbanismo de origem portuguesa e, ao mesmo tempo, observar a especificidade de cada um destes núcleos urbanos, os quais, construídos em momentos distintos, em diferentes contextos históricos, geográficos e culturais e obedecendo a diferentes objectivos, apresentam diferentes morfologias. Umas e outras serão objecto de análise e caracterização detalhada.
A compreensão desta cultura urbana, dos processos que lhe deram origem e das formas que geraram, são essenciais para a permanência da memória, da história e das tradições dessas comunidades, e para a correcta formulação de políticas de intervenção nesse património cultural construído. Por outro lado, essa cultura tem também um valor económico e social, que justifica e exige a sua preservação.
Este património cultural – a identidade urbana e arquitectónica de cada local – deve desempenhar um papel cada vez mais importante como referência para o desenvolvimento e o futuro destas cidades. O respeito por essas referências culturais, historicamente sedimentadas, evita a descaracterização das cidades, impede o seu desenvolvimento segundo princípios e modelos alheios à sua cultura tradicional, e cria as condições necessárias para que as cidades e a sua cultura urbana específica sejam motores de desenvolvimento económico e social.

Palavras chave: Urbanismo, património, cultura

Nota biográfica
Manuel C. Teixeira, Arquitecto, PhD em História Urbana. Professor Catedrático da Faculdade de Arquitectura da UTL, Investigador do Centro de Administração e Políticas Públicas do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da UTL Publicações recentes incluem “A Forma da Cidade de Origem Portuguesa”, Editora UNESP, São Paulo 2012.