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CONTINUIDADE E INOVAÇÃO: PANORAMA MUSEOLÓGICO DE ACBO VERDE

Henrique Coutinho Gouveia
Investigador do CEHFCi – Universidade de Évora e Docente Convº da UniCV
henriquecgouveia@gmail.com

Antecedentes setecentistas e oitocentistas
Integração do trabalho desenvolvido na estratégia museológica metropolitana. Pesquisa científica e organização de colecções em favor de museus situados no exterior. Tentativas de autonomização oitocentistas – dificuldades de consolidação de museus locais. Participação em exposições portuguesas e internacionais

Evolução novecentista no período anterior à independência
Manutenção de ligações com a realidade museológica metropolitana.
Ausência de projectos visando a criação de museus na primeira metade do século – comparação com os casos de Moçambique, Angola e Guiné.
Tentativas de inflexão no terceiro quartel desse século – intervenção no sítio histórico da Cidade Velha e reconversão da Casa Eugénio Tavares, na Brava.

Panorama museológico pós-independência.
Propostas de criação de um museu nacional de carácter identitário e pluridisciplinar. Transposição do conceito de museu para o plano aplicado – emergência de projectos com continuidade na segunda metade dos anos oitenta.
Diversidade tipológica – existência de um jardim botânico, de um museu de empresa e de um museu de sítio. Integração no acervo museológico de diferentes tipos de acervos – espécimes botânicos vivos, testemunhos tecnológicos e sítios. Enriquecimento desse acervo mediante transferência de testemunhos do contexto arquivístico para o contexto museológico – Museu de Documentos Especiais.
Afirmação do sector da cultura no contexto museológico – organização do Museu Etnográfico da Praia e arranque do Museu de sítio de Chão Bom. 

Advento do século actual
Alargamento do leque disciplinar – organização de um Museu de Arqueologia, na Praia.
Medidas de descentralização – processo de criação de um Museu no Mindelo. Iniciativa municipal e iniciativa privada – Casa da Memória e Museu Municipal em São Filipe.
Concepção e desenvolvimento da política museológica de índole paisagística e ecossistémica – criação de uma rede de parques naturais.
Tentativas de renovação dos estabelecimentos existentes – Museu Etnográfico, Museu de Arqueologia e Museu do Mindelo 

Diagnóstico da situação existente
Necessidade de avaliação do panorama museológico do país em função dos vectores a contemplar na política da especialidade: apoio ao sector educativo; salvaguarda do património e conservação da biodiversidade; participação no processo de desenvolvimento; promoção do turismo; descentralização e incremento do protagonismo municipal; projecção no âmbito da diáspora.
Ausência dos domínios da história natural, das ciências exactas e da arte. Inexistência de museus com espécimes zoológicos vivos.
Necessidade de apuramento do aparelho conceptual a aplicar e de diversificação da tipologia museológica.
Fraco índice de consolidação dos projectos desencadeados e escassez de recursos locais.

Panorama museológico cabo-verdiano: Vectores de continuidade e de inovação
Predomínio da orientação disciplinar nos museus centrais e de carácter temático no plano local.
Necessidade de incremento dos factores de inovação: natureza dos acervos; características das instalações; reconversão de espaços testemunho; desempenho de papeis de intervenção; modernização do modelo organizativo; introdução de novos tipos de museus.

Palavras-chave Museologia, Cabo Verde, parques naturais, museus de sítio, casas históricas  

Nota biográfica
Henrique Coutinho Gouveia Licenciatura em Ciências Antropológicas e Etnológicas – ISCSP/UTL e Doutoramento e Agregação em Antropologia com especialização em Museologia – FCSH/UNL. Funções profissionais no Departamento de Museologia do IICA, Museu Antropológico da FCT/UC e IPPC. Representação de Portugal no CIOFF e WCC e missões no domínio da museologia na Guiné-Bissau, Angola e Cabo Verde. Professor de Mestrados em Museologia na FCSH-UNL e Universidades dos Açores, Évora e Cabo Verde.