6.2

APLICAÇÕES GEODÉSICAS NO ARQUIPÉLAGO DE CABO VERDE

Paula Cristina Santos
Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT)
paula.santos@iict.pt  

Dada a sua importância para a navegação mundial, desde cedo a Comissão de Cartografia reconheceu a necessidade e importância de trabalhos geodésicos no arquipélago de Cabo Verde. 
Em 1918 foi constituída uma Missão Geográfica destinada a efectuar trabalhos de geodesia e topografia para o levantamento das respectivas cartas geográficas assim como a ligação geodésica entre as ilhas. Face aos inúmeros naufrágios que aí ocorriam, os trabalhos iniciaram-se pela Ilha da Boavista onde a Missão verificou que a carta da Comissão de Cartografia publicada em 1911 na escala 1/150000, que serviu de base para o reconhecimento, não representava correctamente o terreno apresentando um movimento de torsão para sueste. Estas diferenças eram frequentes e deviam-se essencialmente à falta de apoio geodésico.
Nesta comunicação pretende-se mostrar a importância deste apoio geodésico na produção de uma cartografia de maior rigor que, produzida no âmbito da Comissão de Cartografia e instituições que lhe sucederam, contribuiu para a cobertura cartográfica dos países outrora sob administração portuguesa assim como o papel que desempenha ainda hoje em plena época dos Sistemas de Posicionamento e Navegação por Satélite. Uma vez que neste arquipélago existe um vulcão activo, considera-se igualmente oportuno mostrar a aplicação da geodesia na monitorização de zonas de risco de catástrofes naturais e em particular no vulcão da Ilha do Fogo.

Palavras-chave: Missões geográficas, Comissão de Cartografia, aplicações geodésicas, Cabo Verde

Nota biográfica
Paula Cristina Cunha Santos é Investigadora Auxiliar no Instituto de Investigação Científica Tropical. A sua actividade desenvolve-se na área da engenharia geográfica, em particular, sobre aplicações geodésicas nos países da CPLP: análise das redes geodésicas aí estabelecidas, utilização dos Sistemas de Posicionamento e Navegação por Satélite no reforço e actualização dessas estruturas geodésicas, demarcação de fronteiras, monitorização de zonas de risco de catástrofes naturais e controle de estruturas, Sistemas de Informação Geográfica. Paralelamente, tem integrado diversos projectos interdisciplinares relacionados com a História da Comissão de Cartografia, Missões Geográficas e de delimitação de fronteiras, metodologias e instrumentos utilizados nos trabalhos de campo.