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GUINÉ-BISSAU: FLORESTAS, CARBONO E ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Luís Catarino
Jardim Botânico Tropical (JBT) . Instituto de Investigação Científica Tropical
lmfcatarino@gmail.com
Viriato Cassama
Secretaria de Estado do Ambiente e Desenvolvimento Durável (SEADD), Bissau cassamavilus@gmail.com

As florestas são um reservatório de carbono e um sumidouro de CO2 atmosférico com papel importante no combate às alterações climáticas. A desflorestação e degradação das florestas são importantes fontes de libertação de CO2 para a atmosfera enquanto a preservação das florestas ou a reflorestação permitem reter carbono atmosférico. Nos países em desenvolvimento, a valorização económica dos recursos naturais e em particular das florestas pode permitir aliar a gestão sustentável dos recursos naturais e a conservação da biodiversidade, com um retorno efetivo para as populações residentes.
Os mecanismos internacionais de combate e mitigação das alterações climáticas fornecem instrumentos que aliam o combate à desflorestação e degradação florestal com uma compensação direta para as populações envolvidas nas ações de preservação. Para a implementação de projetos no âmbito do mercado do carbono é necessário: (1) informação de base sobre o carbono armazenado na vegetação florestal; (2) cálculo de taxas de desflorestação históricas, (3) um sistema de monitorização, reporte e verificação de emissões acreditado.
Na Guiné-Bissau, através de projetos de investigação e desenvolvimento já executados e em curso foi realizada a cartografia multitemporal da vegetação florestal, a quantificação do carbono nela armazenado e o cálculo das taxas de desflorestação históricas a nível do país e estão a ser elaboradas as linhas de base de desflorestação e emissões nos parques de Cacheu e Cantanhez.
Por outro lado, está previsto o desenvolvimento no país de um sistema de monitorização da vegetação florestal que servirá de suporte à implementação de ações no âmbito do mercado do carbono.
Assim, estão criadas as condições de acesso a breve prazo a financiamentos internacionais para a valorização económica dos bens e serviços dos ecossistemas, o que pode fomentar a implementação de práticas de uso dos recursos naturais que resultem em menor impacte na vegetação florestal e permitam evitar a desflorestação e diminuir a degradação florestal.

Palavras chave: Desflorestação, degradação florestal, REDD.

Nota biográfica
Luís Catarino,
Doutor e Mestre pelo Instituto Superior de Agronomia, Licenciado em Biologia pela Faculdade de Ciências de Lisboa. É Investigador do Jardim Botânico Tropical do Instituto de Investigação Científica Tropical e membro do Centro de Investigação CIBIO.
A sua actividade científica tem sido desenvolvida na área da flora e vegetação da África Tropical. Tem trabalhado em Fitogeografia e Fitoecologia africanas, Alterações do coberto do solo, Cartografia da vegetação, Bases de dados taxonómicas e Etnobotânica, resultando na publicação de vários artigos científicos, capítulos de livros e livros. Tem liderado e participado na execução de diversos projetos de investigação.