10.3

ESTARÃO OS CLUSTERS DE COOPERAÇÃO A CONTRIBUIR PARA O DESENVOLVIMENTO?

Sandra Silva
Centro de Estudos sobre África e o Desenvolvimento
sandraclaudiasilva@gmail.com
Carlos Sangreman
Universidade de Aveiro
carlos.sangreman@ua.pt

A Declaração de Paris (2005) alterou profundamente a forma como os países doadores interagem com os países parceiros no que respeita à eficácia da ajuda. As novas diretrizes, que apontam para a apropriação, harmonização, alinhamento, resultados e responsabilidade mútua, são atualmente encaradas como uma resposta mais eficaz na ajuda ao desenvolvimento. Os países doadores comprometeram-se a formar parcerias mais fortes e eficientes, que permitissem aos países par­ceiros atingir seus próprios objetivos de desen­volvimento. Embora diversas medidas tenham sido implementadas com vista a atingir os indicadores definidos pela Declaração de Paris, o impacto da ajuda ao desenvolvimento contínua ineficaz no que respeita às necessidades dos países parceiros.
Portugal comprometeu-se igualmente a tornar a ajuda mais eficaz através da promoção de projetos inovadores, tendo introduzido através da Visão Estratégica (2005) um novo instrumento designado de cluster de cooperação. Este instrumento é constituído por um conjunto de projetos, executados por diferentes instituições numa mesma área geográfica e com um enquadramento comum (IPAD, 2005). É no quadro de discussão da eficácia da ajuda que pretendemos perceber até que ponto os clusters de cooperação podem constituir uma solução para os países em desenvolvimento através dos resultados preliminares da análise de documentação recolhida e entrevistas realizadas a atuais e anteriores membros do governo e responsáveis da administração central e sociedade civil.

Palavras-chave: Clusters de cooperação, desenvolvimento, Declaração de Paris

Notas biográficas
Sandra Silva. Actualmente é doutoranda em Estudos de Desenvolvimento pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa e bolseira de investigação do projecto “O cluster como instrumento teórico e prático da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento portuguesa: o caso de Moçambique, Timor-leste, São Tomé e Príncipe e Angola” financiado pela FCT.
Carlos Sangreman. Professor auxiliar no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da Universidade de Aveiro e Investigador do Centro de Estudos Sobre África e o Desenvolvimento do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa. Exerce, ainda, funções como assessor técnico para a cooperação da Reitoria da Universidade de Aveiro. Actualmente é coordenador científico do projecto investigação “O cluster como instrumento teórico e prático da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento portuguesa: o caso de Moçambique, Timor-leste, São Tomé e Príncipe e Angola”, financiado pela FCT e coordenador executivo do projecto “Memória de África e do Oriente”, iniciativa da Fundação Portugal-África.