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PROJETO DE DESENVOLVIMENTO E COOPERAÇAO PARA GESTAO, CONSERVACAO E LONGEVIDADE DIGITAL DE ARQUIVOS HISTORICOS ENTRE GUINÉ-BISSAU, CABO VERDE, MOÇAMBIQUE E BRASIL: RELATO DE UMA EXPERIENCIA EM PROCESSO

Jamile Borges da Silva
Universidade Federal da Bahia/ Centro de Estudos Afro Orientais
jamile.ufba@gmail.com

Durante os anos de 2010 e 2011 estive em Maputo, capital de Moçambique para realização de uma serie de atividades de formação, intercambio e transferência de tecnologia com o Arquivo Histórico de Moçambique (AHM) como produto da execução de um programa de cooperação bilateral entre Brasil e África. No ano de 2012, estive em Guiné Bissau e Cabo Verde para realizar uma série de conferencias no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas/INEP em Bissau e na UNiCV , assim como  para estabelecer um plano de metas para consolidar a parceria entre esses países.  Estas parcerias tem se revelado fundamental para retroalimentar uma rede de pesquisadores que acreditam naquilo que nós chamamos de ‘generosidade digital’, visando democratizar o acesso a fontes, coleções e acervos documentais. Em termos operacionais objetiva-se a formação e treinamento em técnicas de digitalização e conservação digital através de plataformas de crowdlearning via Internet, de funcionários e pesquisadores dos Arquivos Históricos, realização de workshops, seminários e oficinas de treinamento para uso de ambientes, plataformas e ferramentas de captura, preservação e digitalização de arquivos. Entendemos que essa é uma poderosa ferramenta de empoderamento dos povos africanos que, a despeito das inúmeras agencias de cooperação atuando hoje naquele continente, vê o seu espólio intelectual e a memória de seus países serem pilhados, perdidos, saqueados, num processo de apagamento da memória coletiva e das lutas de libertação.
Esse projeto, insere-se, portanto, numa tentativa de descolonizar a memória dos povos africanos através de um amplo movimento de identificação, arqueologia e indexação de documentos, fontes e coleções  a fim de promover sua gestao, conservacao e longevidade digital para que as geraçoes futuras possam conhecer a memória histórica de seu país e para que as gerações presentes possam aprender com o passado e quiça, reinventar suas tradiçoes, memórias e história.

Palavras-chave: Gestão, conservação, arquivos, longevidade digital

Nota biográfica
Jamile Borges da Silva. 
Graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia; Bacharela em Antropologia pela Universidade Federal da Bahia; Mestrado em Educação pela Universidade Federal da Bahia; Doutoramentoem Antropologia no Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos – CENTRO DE ESTUDOS AFRO ORIENTAIS/ UFBA; Professora da UniversidadeFederal da Bahia, atualmente desenvolve pesquisa no Centro de Estudos Afro-Orientais /CEAO-UFBA; Professora colaboradora no Curso de Estudos Avançados Fábrica de Idéias -CEAO/UFBA/FORDSEPHIS. Coordenadora do Museu Digital da MemóriaAfricana e Afrobrasileira, website http://www.museuafrodigital.ufba.br