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AVALIAÇÃO DA ACTIVIDADE ANTIMALÁRICA DE FRACÇÕES/COMPOSTOS OBTIDOS A PARTIR DE AMPELOZIZYPHUS AMAZONICUS DUCKE

Marta Machado
UEI Parasitologia Médica/Centro de Malária e Doenças Tropicais/IHMT-UNL
marta.machado@ihmt.unl.pt
Ana Sofia Rodrigues
UEI Parasitologia Médica/Centro de Malária e Doenças Tropicais/IHMT-UNL
Virgílio E do Rosário
UEI Parasitologia Médica/Centro de Malária e Doenças Tropicais/IHMT-UNL
Jefferson Rocha
Departamento de Química; Instituto de Ciências Exactas, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, Brasil
Dinora Lopes
UEI Parasitologia Médica/Centro de Malária e Doenças Tropicais/IHMT-UNL

Os programas de controlo da malária têm sido bastante comprometidos pelo aparecimento e disseminação da resistência do Plasmodium falciparum à maior parte dos antimaláricos. A terapêutica actual, recomendada pela Organização Mundial de Saúde, baseia-se em combinações com a artemisinina e seus derivados (ACTs), uma vez que ainda apresentam eficácia terapêutica na maior parte das áreas endémicas, com excepção da região do Camboja, onde recentemente foram reportados casos de perda de susceptibilidade. No entanto a rápida propagação de parasitas resistentes aos outros antimaláricos, e a selecção de parasitas resistentes aos ACTs em modelo roedor (P. chabaudi) faz prever que a resistência à artemisinina venha a surgir em outras áreas endémicas. Por conseguinte, torna-se essencial a pesquisa e desenvolvimento de novos compostos com actividade antimalárica, com mecanismos de acção e alvos terapêuticos distintos dos existentes. Uma das abordagens para atingir este objectivo tem por base o conhecimento empírico, proveniente da medicina tradicional, à semelhança do processo associado à utilização do quinino e artemisinina. De facto, o reconhecimento e a validação de práticas de medicina tradicional e a procura de agentes terapêuticos derivados de plantas, pode levar ao estabelecimento de novas estratégias no controlo da malária.
Na região da amazónia brasileira, onde grande parte de população recorre à medicina tradicional, na profilaxia da malária é utilizada uma espécie vegetal, Ampelozizyphus amazonicus, conhecida popularmente como “cerveja de Índio“. Este trabalho teve como objectivo estudar a actividade antimalárica de extractos/fracções/compostos puros obtidos a partir desta planta. Para o efeito, foram realizados ensaios in vitro com P. falciparum (estirpes sensíveis e estirpes resistentes à cloroquina), tendo-se utilizado testes in vitro com esquizontes hepáticos de P. berghei ANKA desenvolvidos em células Hep G2, relativamente à fase hepática ou exoeritrocitária do ciclo de vida do parasita. Foram ainda realizados ensaios de toxicidade em células Hep G2 (MTT).
Os resultados obtidos demonstraram uma moderada actividade destes extractos, os quais evidenciam o interesse de novos estudos que permitam a identificação das moléculas responsáveis por essa mesma actividade.

Palavras-chave: Malária, resistência, Ampelozizyphus amazonicus, medicina tradicional, actividade antimalárica

Nota biográfica
Marta Maia Machado, Licenciou-se em Farmácia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (2009). Iniciou as suas actividades de investigação no Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) em 2009, como bolseira de investigação do projecto “Estudos genéticos do fenótipo de resistência acelerada a múltiplos fármacos (ARMD) no parasita  Plasmodium: dinâmica e estudos de fitness”.
Actualmente,  é bolseira do projecto “A estrutura do cristal de hemozoína como alvo: uma abordagem racional para o desenho de novos antimaláricos”.
No desempenho das suas actividades, para além do desenvolvimento do trabalho prático associado ao projecto, tem apoiado na formação de estágiários de licenciatura e projectos de doutoramento