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FACTORES AMBIENTAIS RELACIONADOS COM OS HABITATS DOS MOLUSCOS VECTORES DE DOENÇAS PARASITÁRIAS NA GUINÉ-BISSAU*

Maria do Carmo Nunes
Instituto de Investigação Científica Tropical
mcarmonunes15@gmail.com
Fernanda Rosa
Instituto de Investigação Científica Tropical
fhjrosa@gmail.com
Fernando Lagos Costa
Instituto de Investigação Científica Tropical
flcosta1955@gmail.com
António Jorge de Sousa
CERENA, Instituto Superior Técnico, Lisboa, Portugal
ajsousa@ist.utl.pt

Os parasitas dependentes de moluscos de água doce provocam doenças, como o esquistossomose, com grande impacto na saúde humana e animal nos países em desenvolvimento, como é a Guiné-Bissau. A avaliação da distribuição e o estudo dos aspectos ecológicos destes moluscos, é de grande importância para que se possa interpretar correctamente o papel que desempenham, como hospedeiros intermediários, na transmissão daquela doença e se providenciem as adequadas medidas de controlo. Estes estudos são produzidos com base em modelos espácio-temporais sobre a dinâmica destas doenças parasitárias e dos factores ambientais relacionados com a sazonalidade dos ecossistemas aquáticos e com a distribuição e o ciclo de vida destes moluscos. Estes factores incluem, principalmente, elementos climáticos, como precipitação, temperatura, humidade relativa do ar, propriedades físico-químicas dos corpos de água, altitude e coberto vegetal. Neste estudo apresentam-se alguns resultados dos levantamentos malacológicos e ambientais, efectuados na bacia do Rio Geba em 2009 e 2010, e do processamento de informação de detecção remota, utilizada para a caracterização ecológica dos habitats dos moluscos e dos corpos de água. A análise da associação entre as propriedades físico-químicas da água, com a presença destes moluscos e com a tipologia dos corpos de água foi obtida por estatística multivariada, respectivamente, através da análise em componentes principais e da classificação ascendente hierárquica. As imagens do satélite Landsat, multitemporais permitiram cartografar os corpos de água e produzir índices de vegetação e de solo, relativos à época seca e húmida, para avaliar a relação entre a presença destes moluscos com as variáveis obtidas das imagens de satélite, tendo em vista a delimitação das áreas e períodos de ocorrência de infecção. O Sistema de Informação Geográfica (SIG), permitiu integrar toda a informação ambiental, malacológica e das infecções parasitárias, identificadas em crianças e em bovinos, com a cartografia de base (rios, estradas, altimetria e localização dos biótopos), e a distribuição da população humana e animal. Com a visualização e sobreposição de todos os temas é possível efectuar uma análise espacial com todas as variáveis e relacionar a ocorrência daqueles moluscos com os aspectos ecológicos mais relevantes. A modelação geoestatística está a ser utilizada para estimar a presença destes moluscos e a prevalência de infecção, tendo em vista cartografar as áreas e identificar os períodos de risco para as populações humanas e animais.

Palavras-chave: Ecossistemas aquáticos, moluscos, estatística multivariada, SIG, Guiné-Bissau.

* Estudo realizado no âmbito do projecto – FCT PTDC/SAU-ESA/71246/2006.

Nota biográfica
Maria do Carmo Nunes,
investigadora auxiliar do Instituto de Investigação Científica Tropical, tem vindo a desenvolver a sua actividade em projetos de investigação multidisciplinares, dando a sua colaboração nas áreas de Análise e Modelação Estatística, Sistemas de Informação Geográfica e Detecção Remota aplicados na caracterização de recursos naturais e ambiente de regiões tropicais. Publicou vários artigos científicos e capítulos de livro e participou em eventos científicos nacionais e internacionais.
Fernando Lagos Costa
Investigador Auxiliar do Instituto de Investigação Científica Tropical, com uma dissertação sobre evolução geomorfológica quaternária e atual em Cabo Verde. Licenciado em Geografia e Mestre em Geografia Física e Regional, pela Universidade de Lisboa. Publicou 40 artigos em revistas e em atas de congressos nacionais e internacionais com arbitragem científica sobre dinâmica do relevo, riscos geomorfológicos em regiões vulcânicas e variabilidade climática e condicionantes naturais de risco epidemiológico em países africanos.
Fernanda Rosa, licenciada em Medicina Veterinária, Investigadora do IICT, desde 1992. Principais linhas de estudo: parasitas emergentes de biótopos aquáticos e as suas repercussões em saúde pública, e contaminação ambiental por parasitas de animais em meio urbano e em áreas naturais ( Guiné-Bissau, Cabo Verde e Portugal). Participação e coordenação de projectos de cooperação e de investigação e cerca de duas dezenas de trabalhos publicados