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AS GRAMÍNEAS DA ÁFRICA OCIDENTAL COMO MODELO DA ADAPTAÇÃO DAS PLANTAS A ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Maria Cristina Duarte
Jardim Botânico Tropical (JBT), Instituto de Investigação Científica Tropical
Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Universidade do Porto
mcduarte@iict.pt
Maria Manuel Romeiras
Jardim Botânico Tropical (JBT), Instituto de Investigação Científica Tropical
Centro de Biodiversidade, Genómica Integrativa e Funcional, Universidade de Lisba
mromeiras@iict.pt
Cristina Branquinho
Centro de Biologia Ambiental, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa cmbranquinho@fc.ul.pt
Luís Catarino
Jardim Botânico Tropical, Instituto de Investigação Científica Tropical
Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Universidade do Porto
lmfcatarino@gmail.com

As gramíneas (Poaceae) são um grupo de plantas que, pela fácil dispersão, estão presentes em quase todos os tipos de ecossistemas, desde estepes, prados e savanas (dominados por espécies deste grupo) até às florestas densas (ainda que em número reduzido). A sua diversidade taxonómica, que ultrapassando as 10 000 espécies a nível mundial as coloca entre as maiores famílias botânicas, e a capacidade de ocuparem uma grande diversidade de condições ecológicas torna-as potenciais indicadores universais na avaliação e monitorização de impactos de alterações de natureza biótica ou abiótica.
Em anteriores trabalhos realizados na Guiné-Bissau (Duarte et al. 2000) foram caracterizadas as relações entre vários tipos de ecossistemas (savanas, florestas abertas, florestas densas, galerias florestais, palmares, lalas, lagoas e charcos, zonas salgadas, culturas de “bolanha”, culturas sequeiro e locais ruderalizados) e as espécies de gramíneas presentes. Esta análise tornou já evidente a especificidade de algumas espécies (apenas presentes em tipos particulares de comunidades) e a plasticidade de outras (comuns em vários ecossistemas). Também a comparação dos elencos florísticos, no relativo às gramíneas, entre as regiões fitocorológicas estabelecidas por White (1983) para a África Ocidental, que obviamente reflectem as características macroclimáticas subjacentes, revelou as potencialidades deste grupo taxonómico no estabelecimento de afinidades entre as várias regiões.
Através da identificação de grupos funcionais dos cerca de 150 taxa de gramíneas inventariados para este território espera-se contribuir para interpretar a dinâmica entre os vários ecossistemas, tendo em conta as perturbações antrópicas que podem estar na origem dessa dinâmica quer estejam relacionadas com a gestão do solo e vegetação (e.g. actividades agrícolas, pastorícia, queimadas) quer com o macro e microclima.
A identificação de grupos funcionais com base em características específicas de vária natureza (e.g. sistemáticas, morfológicas, reprodutoras e fisiológicas) pode, em análises globais, ajudar a superar as dificuldades colocadas pelas especificidades das floras regionais, controladas por questões fitogeográficas. Esta abordagem poderá contribuir para, a uma escala mais global, prever e monitorizar fenómenos de desertificação.

Palavras-chave: África Ocidental, flora, grupos funcionais, Poaceae.

Nota biográfica
Maria Cristina Duarte, Doutorada em Engenharia Agronómica, pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa, e Licenciada em Biologia ramo Científico, pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Investigadora auxiliar no Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) é, atualmente, Diretora do Jardim Botânico Tropical e membro do Research Center in Biodiversity and Genetic Resources – CIBIO (Universidade do Porto). A sua atividade científica desenvolve-se especialmente nas áreas da Sistemática Vegetal, da Ecologia da Vegetação e dos estudos de Biodiversidade e Conservação em particular nas regiões tropicais, tendo publicado vários artigos científicos em revistas da especialidade, livros e capítulos de livros.

Maria Manuel Romeiras
, Doutorada em Biologia (Biologia Molecular), pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Mestre em Protecção Integrada, pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa e Licenciada em Biologia ramo Científico pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Actualmente é investigadora no Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) e é membro do Centro de Investigação BioFIG. A sua actividade científica tem sido desenvolvida na área da Biologia Molecular direccionada para o estudo da Biodiversidade e Botânica Tropical, tendo nesta área de trabalho artigos científicos e capítulos de livros publicados.
Cristina Branquinho
Luís Catarino,
Doutor e Mestre pelo Instituto Superior de Agronomia, Licenciado em Biologia pela Faculdade de Ciências de Lisboa. É Investigador do Jardim Botânico Tropical do Instituto de Investigação Científica Tropical e membro do Centro de Investigação CIBIO. A sua actividade científica tem sido desenvolvida na área da flora e vegetação da África Tropical. Tem trabalhado em Fitogeografia e Fitoecologia africanas, Alterações do coberto do solo, Cartografia da vegetação, Bases de dados taxonómicas e Etnobotânica, resultando na publicação de vários artigos científicos, capítulos de livros e livros. Tem liderado e participado na execução de diversos projetos de investigação.