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A MISSÃO GEO-HIDROGRÁFICA DA GUINÉ

Paula Cristina Santos
Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT)
paula.santos@iict.pt

Em 1889, a Comissão de Cartografia dotou a Guiné duma carta itinerária. Nos anos seguintes, para delimitação de fronteiras com a África Ocidental Francesa, foram criadas várias comissões de fronteira e missões geo-hidrográficas que, além de observações astronómicas para atribuição de coordenadas aos marcos que as definiam, fizeram trabalhos de balizagem de canais e portos.
A primeira Missão Geo-Hidrográfica da Guiné (MGHG) foi criada em 1912, por decreto de 19 de Outubro, com objectivos exclusivamente cartográficos. Solicitada para outros trabalhos interrompeu a sua actividade em 1915. Deste período destaca-se a observação da longitude astronómica de Bolama em que, pela primeira vez nos territórios africanos, sob administração portuguesa, se recorreu à telegrafia sem fios. Foi reactivada em 1925, para proceder à determinação de coordenadas geográficas especialmente em povoações de pontos que assinalem rios, canais, ilhas,.., e colaborar com uma missão francesa para rever a fronteira, reconstruíndo e reparando os marcos quando necessário.
Em 1933, a Comissão de Cartografia fez publicar uma carta geral na escala 1/500000, baseada nos elementos geodésicos coligidos até então.
O decreto lei 35609 de 14 de Abril de 1944 reorganizou a Missão, atribuindo-lhe a execução da cobertura geodésica do território com a precisão necessária ao apoio dos trabalhos de cartografia, cadastro geométrico e planos de fomento, a determinação de um conjunto de pontos para averiguar o desvio da vertical e proceder ao levantamento da carta hidrográfica.
Nesta comunicação pretende-se mostrar a importância do apoio geodésico na produção de uma cartografia de maior rigor que, produzida no âmbito da Comissão de Cartografia e instituições que lhe sucederam, contribuiu para a cobertura cartográfica, ainda em vigor, dos países outrora sob administração portuguesa. Várias décadas passadas, estas infra-estruturas geográficas são ainda de importância fundamental para os respectivos territórios pois, para além de os cobrirem geograficamente, são facilmente convertíveis nos sistemas de coordenadas usados pelos actuais sistemas de posicionamento e navegação por satélite permitindo compatibilizar a cartografia existente com a que se venha a obter, servindo assim de estrutura de apoio aos projectos de planeamento e desenvolvimento desses territórios.

Palavras-chave MGHG, geodesia, cartografia

Nota biográfica
Paula Cristina Cunha Santos é Investigadora Auxiliar  no Instituto de Investigação Científica Tropical. A sua actividade desenvolve-se na área da engenharia geográfica, em particular, sobre aplicações geodésicas nos países da CPLP: análise das redes geodésicas aí estabelecidas, utilização dos Sistemas de Posicionamento e Navegação por Satélite no reforço e actualização dessas estruturas geodésicas, demarcação de fronteiras, monitorização de zonas de risco de catástrofes naturais e controle de estruturas, Sistemas de Informação Geográfica. Paralelamente,tem integrado diversos projectos interdisciplinares relacionados com a História da Comissão de Cartografia, Missões Geográficas e de delimitação de fronteiras, metodologias e instrumentos utilizados nos trabalhos de campo.

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