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INTERFACES NAS MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS AFRO-BRASILEIRAS  E AFRO-CABOVERDIANAS

Maria Aparecida Santos Correa Barreto
PPGE/UFES. Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFES
cida67@terra.com.br
Patrícia Gomes Rufino Andrade
PPGE/UFES. Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFES
patiruf@yahoo.com.br

Os contextos das diásporas dispersos em Territórios brasileiros são representados fortemente nas regiões interioranas do campo em que residem as comunidades conhecidas como Quilombolas. São agrupamentos negros tradicionais que empreenderam historicamente grande luta pelas terras, e a partir delas, no período posterior à escravização, garantiram no Brasil seu sustento. Estas comunidades guardam em si expressões culturais religiosas, manifestações herdadas – segundo seus atores, das populações africanas em relevância, que em muito se assemelham aos cultos Afro-Religiosos e Culturais presentes em Cabo-Verde, inscritos como grupos tradicionais e sustentam em si costumes, hábitos e crenças. Este texto apresenta algumas análises iniciadas em 2006  em uma  comunidade quilombola conhecida como Monte Alegre, no município de Cachoeiro de Itapemirim-ES, objetivando estudar práticas educativas e culturais,  de acordo com o que pressupõe a Lei 10.639/2003, que obriga em territórios brasileiros, o estudo e conhecimento de História e Cultura Africana e seus  entrelaçamentos com o currículo vivido, nas escolas o que anima a aproximação das práticas em Cabo Verde.  Parte dessas vivências também são reconhecidas em uma perspectiva afroreligiosa. As relações existentes entre elas foram consideradas heranças e tradições já vividas em Territórios Africanos, pois as narrativas dos atores apontaram para isso.  Identificamos comemorações e atividades que relembravam os percalços enfrentados por negros escravos no período em que eram submetidos a trabalhos forçados. O mesmo se verifica em Cabo Verde, quando pensamos em todo o arcabouço representativo que tem o Batuque, o Funaná e o Finaçon, legítimos representantes dessa herança negra que hoje, após a proclamação da independência, passam a fazer parte do panorama cultural de resistência afro tanto em Cabo Verde, como nas Comunidades Quilombolas do Brasil. Dessa forma singularizam experiências que contextualizam-se como Interfaces nas Manifestações Religiosas Afro-brasileiras  e Afro-caboverdianas e problematizam os processos culturais que levam a identificação das  comunidades residentes nesses territórios.

Palavras-chave: Educação quilombola, territórios culturais, afroreligiosidades, Cabo Verde.

Nota biográfica
Patrícia Gomes Rufino Andrade.
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo- UFES/Brasil. Pesquisadora CNPQ do grupo Territórios e Territorialidades com pesquisa em andamento Territórios e territorialidades rurais e urbanas: processos organizativos, memórias e patrimônio cultural afro-brasileiro nas comunidades jongueiras do Espírito Santo. Tem experiência na área de Geografia e Pedagogia, com ênfase em Territórios, Estudos Culturais, Formação de Professores, Educação das Relações Étnico-Raciais- Lei 10.639/2003 e Educação quilombola.