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TIPOS BIOLÓGICOS E ESTRATÉGIAS ADAPTATIVAS DA FLORA EXÓTICA: ESTUDO COMPARATIVO ENTRE AS ILHAS DE CABO VERDE

Susana Matos
Jardim Botânico Tropical (JBT) – Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT)scbcmatos@gmail.com
Maria Manuel Romeiras
Jardim Botânico Tropical (IICT) – Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT)  Centro de Biodiversidade, Genómica Integrativa e Funcional, Universidade de Lisboa
mromeiras@iict.pt ; mromeiras@yahoo.co.uk
Claúdia Fernandes
Direcção Geral da Agricultura, Silvicultura e Pecuária, Praia, Cabo Verde
claudiaf_cv@hotmail.com
Maria Cristina Duarte
Jardim Botânico Tropical (JBT) – Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT)  Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Universidade do Porto
mcduarte@iict.pt

Os habitats insulares são um dos habitats mais sensíveis à destruição da biodiversidade, necessitando de medidas de conservação e de prevenção que possam conter e minimizar potenciais factores de ameaça. As plantas exóticas, deliberada ou acidentalmente introduzidas após colonização humana, são uma das principais ameaças à conservação da biodiversidade nos ecossistemas insulares, acarretando graves prejuízos ecológicos e económicos. No arquipélago de Cabo Verde, e em resultado de pressões bióticas (humanas e outras), a situação deteriorou-se rapidamente nos últimos decénios, levando à forte degradação dos ecossistemas naturais.
A posição geográfica do arquipélago e a elevada diversidade geomorfológica ditam uma enorme diversidade climática e microclimática (variando de climas muito áridos a húmidos), fortemente condicionada pela altitude e pela exposição. De notar que as ilhas do norte, especialmente Santo Antão, são das mais húmidas.
A flora nativa de Cabo Verde é pouco rica, embora inclua uma percentagem muito significativa de espécies endémicas. Algumas destas, ocorrendo em populações muito pequenas, estão classificadas como ameaçadas ou em risco de extinção. Por outro lado, a flora exótica é extremamente diversa, suplantando largamente, em número, a componente nativa e constituindo uma séria ameaça às espécies nativas.
A composição específica e estrutura da vegetação encontram-se estreitamente relacionadas com os processos adaptativos aos factores bióticos e abióticos destas ilhas. Assim, através do estudo de algumas características funcionais das espécies (e.g. tipos biológicos e estratégias adaptativas) elabora-se um estudo comparativo entre as floras exóticas das ilhas de modo a contribuir para interpretar os processos ecológicos que determinam a distribuição e o comportamento invasivo de algumas espécies no arquipélago. A utilização de grupos funcionais tem vantagens relativamente a uma abordagem por espécies, uma vez que é expectável que espécies de um mesmo grupo respondam de forma semelhante a condições ecológicas semelhantes, possibilitando a generalização das conclusões a regiões geográficas com elencos florísticos distintos.
Pretende-se assim obter informações essenciais para a gestão do território de modo a determinar o impacto e extensão do fenómeno de invasão e desenvolver hipóteses que possam vir a ser úteis na prevenção de novas invasões e na optimizar das acções de conservação.
A gestão dos recursos biológicos no arquipélago de Cabo Verde revela-se um grande desafio e espera-se que o aprofundamento do conhecimento sobre a dinâmica das suas comunidades vegetais nativas e exóticas contribua para assegurar a preservação e evolução da diversidade existente.

Palavras-chave: África ocidental, espécies invasoras, conservação

Nota biográfica
Susana Matos
Licenciada pré-Bolonha em Biologia pela Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Ecologia e Gestão Ambiental da Universidade de Lisboa, tendo a comunicação apresentada no presente Colóquio como base o trabalho que está a ser desenvolvido para a dissertação deste mestrado. Colabora com o IICT desde 2005 em projectos associados à catalogação informática, preservação e gestão de colecções biológicas, financiados pela The Andrew W. Mellon Foundation e pela FCT

Maria Manuel Romeiras, Doutorada em Biologia (Biologia Molecular), pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Mestre em Protecção Integrada, pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa e Licenciada em Biologia ramo Científico pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Actualmente é investigadora no Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) e é membro do Centro de Investigação BioFIG. A sua actividade científica tem sido desenvolvida na área da Biologia Molecular direccionada para o estudo da Biodiversidade e Botânica Tropical, tendo nesta área de trabalho artigos científicos e capítulos de livros publicados

Maria Cristina Duarte, Doutorada em Engenharia Agronómica, pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa, e Licenciada em Biologia ramo Científico, pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Investigadora auxiliar no Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) é, atualmente, Diretora do Jardim Botânico Tropical e membro do Research Center in Biodiversity and Genetic Resources – CIBIO (Universidade do Porto). A sua atividade científica desenvolve-se especialmente nas áreas da Sistemática Vegetal, da Ecologia da Vegetação e dos estudos de Biodiversidade e Conservação em particular nas regiões tropicais, tendo publicado vários artigos científicos em revistas da especialidade, livros e capítulos de livros

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